segunda-feira, 21 de maio de 2018

Um vinho branco perfeito: Trimbach Riesling Cuvée Frédéric Emile 2008

Recentemente visitei a Alsácia, região francesa que se destaca pela produção de vinhos brancos, em especial monovarietais - Riesling, Gewürtztraminer, Pinot Gris, e outras. De estilos diversos, dos secos até os extremamente doces, o sistema de vinhos da Alsácia será explorado em futuros posts.

Nessa viagem, mais de uma dezena de vinícolas foram visitadas e mais de uma centena de vinhos foram degustados, em estilos e níveis de qualidade diversos com grande foco nos Grand Crus. Foi realmente uma jornada surpreendente e didática.

Em uma de nossas visitas, tivemos a oportunidade de degustar um vinho único, um Riesling seco, com dez anos de idade. Simplesmente espetacular, um daqueles vinhos que se destacam no meio de diversos vinhos excelentes, e nos marcam.

Embora não me preocupe com notas de críticos de vinhos, até mesmo porque cada garrafa é sempre única, e há diversos fatores subjetivos que influenciam a degustação (onde bebemos, quando bebemos, com quem bebemos, nossas condições físicas, taças, aspectos do serviço etc...), o Riesling Cuvée Frédéric Emile 2008 da Maison Trimbach é realmente um daqueles vinhos únicos, que guardamos anos a fio em nossas memórias.

Lançado no mercado já com dez anos, o Trimbach Riesling Cuvée Frédéric Emile logo foi aclamado pela crítica especializada internacional, recebendo 96 pontos da Wine Advocate (Stephan Reindhardt) e 95 pontos da Wine Enthusiast (Anne Krebiehl MW).

Porém, sua consagração máxima veio com a perfeita pontuação 20/20 conferida por um dos mais respeitados guias de vinhos franceses, o Bettane + Desseauve, dos experientes críticos Michel BettaneThierry Desseauve.

Embora o Trimbach Riesling CuvéeFrédéric Emile não seja oficialmente um Grand Cru, as uvas com que é elaborado são provenientes de uma parcela específica de vinhedo (lieu-dit, como preferem os franceses) que se localiza na divisa entre os Grand Crus GeisbergOsterberg, pertinho das instalações da vinícola na bela cidade de Ribeauvillé.

Na verdade, tais parcelas já eram utilizadas na elaboração do Trimbach Riesling Cuvée Frédéric Emile muitos anos antes de Geisberg Osterberg terem suas extensões definidas e serem alçados ao status deGrand Cru(respectivamente, em 1983 e 1992).
 
Maison Trimbach, de seu turno, optou por manter o Trimbach Riesling Cuvée Frédéric Emile “apenas” na classificação Appelation Alsace Contrôlée ao invés de “dividir” o vinho em dois outros vinhos pertinentes aos Grand Crus GeisbergOsterberg, colocando-os na teoricamente mais prestigiosa classificação Appelation Alsace Grand Cru Contrôlée.


A decisão da Maison Trimbach de manter o Cuvée Frédéric Emile fora da classificação Alsace Grand Cru (o mesmo aconteceu com o cultuado Trimbach Clos Saint Hune), reflete uma crítica (hoje já um pouco abrandada) de parte dos produtores alsacianos (Hubert Trimbach, Felix Meyer, Léon Beyer, Marc Hugel, dentre outros) à forma como foram definidos os Grand Crusna Alsácia, e que, em apertada síntese, se centra no número excessivo de Grand Crus e na própria ausência de classificações intermediárias, como as apellations villages premiers crus, tal como ocorre na Borgonha, dentre outros aspectos.

E, assim, em uma ensolarada manhã de início de primavera, e ainda ignorantes quanto às notas recebidas pelo Riesling Cuvée Frédéric Emile 2008, chegamos na Masion Trimbach em Ribeauvillé para uma degustação. 

Na Alsácia não é raro que em visita a produtores haja mais de uma dezena de vinhos possíveis de serem degustados. Assim, é comum que em algumas visitas nos seja indagado que estilo de vinhos preferimos degustar. Porém, para realmente mergulhar em uma região de vinhos e entende-la precisamos afastar nossos gostos pessoais e provar novos estilos de vinhos. Sempre que indagavam isso pedia uma sugestão para que me fosse apresentado um panorama dos vinhos alsacianos e do trabalho e filosofia da vinícola.

Seguindo essa filosofia, iniciamos com um refrescante e seco Muscat, o Trimbach Muscat Réserve 2015.

Em seguida degustamos o excelente Trimbach Riesling Selection de Vieilles Vignes 2015 e após ao incrível Riesling Cuvée Frédéric Emile 2008.

Recentemente lançado no mercado, já com dez anos de idade, o Riesling Cuvée Frédéric Emile 2008 mostrava que ainda tinha uma longa vida pela frente. Com cor amarelo limão, no nariz se mostrava com intensidade pronunciada e aromas de limão siciliano, damasco, abacaxi, casca de laranja, sílex, notas de pimenta branca e com um leve petróleo, querosene, característicos de Rieslings mais envelhecidos. Na boca, era seco, com muito corpo, quase cremoso, com notas de frutos secos e cítricos, final extremamente longo. Realmente impressionante.

De se destacar que o Riesling precedente já era espetacular, daí minha empolgação com o Riesling Cuvée Frédéric Emile 2008 (obviamente o fato de ser um grande fã da Riesling influenciou meu julgamento em ambos os vinhos). 

Na sequencia, passamos aos Pinots Gris, com grau de açúcar residual maior. Iniciamos com o Trimbach Pinot Gris Réserve 2015, e em seguida passamos ao Trimbach Pinot Gris Réserve Personnelle 2014.

Aumentando o nível de açúcar residual, passamos aos aromáticos Gewürztraminers. Iniciamos com o Trimbach Gewürztraminer Cuvée des Seigneurs de Ribeaupierre 2011, arrebatador no nariz com seus aromas de rosas e lichias. 

Em seguida, degustamos os vinhos doces. Primeiro, o Trimbach Gewürztraminer Vendages Tardives 2011 e, em seguida, o monumental e complexo Trimbach Gewürztraminer Selection de Grains Nobles 2008 encerrou  com chave de ouro a degustação!

Um belo início para nossa visita à Alsácia! Santé!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Descobrindo Washington Parte 4 – Tri-Cities

Após sairmos da região de Walla Walla Valley (relembre aqui), retornamos em direção ao oeste. Nosso objetivo era visitar algumas vinícolas nas cercanias das chamadas Tri-Cities, e ter mais um dia para explorar a região de Red Mountain.

A região de Tri-Cities é apontada como “the heart of Washington wine country”, pois em seu entorno num raio de cerca de 50 milhas existem mais de 200 vinícolas inseridas em AVAs (American Viticultural Areas) diversas, como Red Mountain, Yakima Valley e Horse Heaven Hills, dentre outras (leia aqui sobre as AVAs de Washington) .

Tri-Cities é composta, na verdade, por quatro cidades distintas e fronteiriças: Kennewick, Pasco, Richland e West Richland.

Como mencionamos, optamos por fazer uma parada estratégica de dois dias em Tri-Cities com um dia para Red Mountain e outro para visitar mais algumas vinícolas bem próximas de Tri-Cities. Assim, diminuiríamos o tempo de viagem até nossa próxima etapa, o vizinho Estado do Oregon, que será objeto de posts futuros.


No primeiro dia, iniciamos pela Tagaris Winery, vinícola com inspiração grega e que possui um excelente restaurante onde almoçamos.

Além do almoço, degustamos alguns vinhos de excelente preço, despretensiosos, porém de excelente qualidade. Os três vinhos que se destacaram foram o T Riserva Italiana 2011 um corte nada usual de 43% Barbera, 42% Sangiovese, 10% Cabernet Sauvignon e 5% Syrah, todas as uvas provenientes da AVA  Wahluke Slope; o T Grenache Lee Palomo Vineyard 2012, também com uvas de Wahluke Slope; e o T Syrah Areté Vineyard 2011 (Columbia Valley).

Na sequencia, visitamos uma vinícola bem tradicional em Washington, a Barnard Griffin. Dos vinhos degustados, valem menção o Barnard Griffin Roussanne 2012 e o Barnard Griffin Grenache 2011, ambos de Columbia Valley.

Após, visitamos outra vinícola clássica em Washington e conhecida por seus potentes Cabernets Sauvignons e blends, bem como Syrahs a J. Bookwalter Winery. Provamos ali os seguintes vinhos: J. Bookwalter Foreshadow Cabernet Sauvignon 2012 (Columbia Valley); J. Bookwalter Antagonist Syrah 2013 (Columbia Valley); J. Bookwalter Conflict Conner-Lee Vineyard 2012 (ColumbiaValley; 63% Cabernet Sauvignon, 32% Merlot e 5% Syrah); J. Bookwalter Protagonist 2012 2012 (Columbia Valley; 91% Cabernet Sauvignon; 9% Syrah); J. Bookwalter Suspense Conner-Lee Vineyard 2012 (Columbia Valley; 35% Cabernet Franc, 65% Merlot).

Encerramos o dia na aconchegante Goose Ridge Winery, calmamente degustando nossos vinhos ao pé da lareira. Dentre os brancos, degustamos o Goose Ridge Riesling 2013  e o Goose Ridge  GRV 2013 (50% Viognier,27% Grenache Blanc e 23% Roussanne). Provamos quatro tintos: o Goose Ridge First Flight 2011 (67% Cabernet Sauvignon, 17% Merlot e 16% Syrah); o Goose Ridge Cabernet Sauvignon 2009; o Goose Ridge Merlot 2010 e, por fim, o Goose Ridge Syrah 2011. Todos os vinhos elaborados com uvas da AVA Columbia Valley.

No segundo dia, retornamos a Red Mountain (relembre a primeira visita aqui), uma das nossas sub-regiões vinícolas (AVAs) preferidas de Washington.

Iniciamos o dia visitando a Col Solare, uma parceria da família Antinori e o Chateau Ste. Michelle, visita esta sobre a qual escrevemos um post exclusivo. Relembre aqui.

Após, visitamos a Fidelitas. A arquitetura da vinícola é

simplesmente incrível, degustando-se os vinhos com o vinhedo emoldurado por uma ampla parede de vidro. E os vinhos são de altíssima qualidade, fazendo jus à arquitetura da vinícola (ou seria o contrário?). Provamos ali cinco vinhos: Fidelitas Boushey Red Wine 2011; Fidelitas Champoux Merlot 2011; Fidelitas Optu Red Mountain 2012 (72% Cabernet Sauvignon, 20% Merlot, 4% Petit Verdot, 4% Cabernet Franc), o Fidelitas Malbec Red Mountain 2011 e o Fidelitas Ciel du Cheval Cabernet Sauvignon 2010 (sobre o vinhedo Ciel du Cheval leia aqui). Todos simplesmente espetaculares e da AVA Red Mountain.

Na sequencia, visitamos a Hedges Family Estate, cujos vinhos não nos empolgaram muito. Na verdade, não havia opção de escolha dos vinhos a serem degustados, e ficamos bem desapontados com o que provamos. No entanto, ali vimos um vinhedo plantado com Sousão, casta tinta portuguesa típica do Douro utilizada sobretudo em vinhos do Porto (embora haja vinhos tranquilos monocastas, como o Quinta do Vallado Sousão). E a razão para o plantio da Sousão ali na remota Red Mountain era interessante. Um enólogo português da equipe da vinícola havia sugerido o seu plantio para elaboração de vinhos fortificados no estilo dos vinhos do Porto.

Após, paramos na Terra Blanca - onde já havíamos ido alguns dias antes - para almoçar no pequeno restaurante da vinícola que serve pizzas de forno a lenha e saladas.

Em seguida, visitamos a pequena e familiar Cooper Wine Company, onde fomos recebidos pelo próprio proprietário e enólogo, o simpático Neil Cooper. Ele nos contou sua filosofia: vinhos de pequena produção, sempre Bordeaux styles blends, focados na qualidade. Na época, Neil havia acabado de retornar de uma viagem ao Chile e já começava a usar um pouco de Carménère em alguns vinhos. Provamos os seguintes vinhos: Cooper Riesling Yakima Valley 2013; Cooper Estate Chardonnay Red Mountain 2013; Cooper Barrel Maker Red Red Mountain 2012 (50% Cabernet Sauvignon; 25% Merlot; 25% Cabernet Franc); Cooper L’Inizio Red Mountain 2012 (40% Cabernet Sauvignon; 15% Merlot; 12,5% Malbec; 12,5% Petit Verdot; 10% Cabernet Franc e 10% Carménére); Cooper Estate Cabernet Sauvignon Red Mountain 2012 e o Cooper Estate Merlot Red Mountain 2011.
Finalizamos o dia ainda na Chandler Reach, uma pequena vinícola com arquitetura toscana, e na qual os brancos foram o grande destaque (um Chenin Blanc, um Viognier e um Chardonnay, todos 2013 e da AVA Columbia Valley), além de um tinto, o Parris 2008, um Cabernet Franc de Yakima Valley.

Fechamos assim nossa viagem pelas regiões vinícolas de Washington (relembre as parte 1, 2 e 3 de nossa viagem) e nos preparamos para a etapa seguinte, o vizinho Oregon.


Cheers!

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Paso Robles e suas AVAs

Paso Robles é uma das minhas regiões vinícolas preferidas na Califórnia.

Desde a nossa primeira visita em 2011 (leia aqui), quando ainda não era um wine country tão célebre como Napa e Sonoma, Paso Robles - ou apenas Paso como preferem os locais - se tornou bem badalada, inclusive tendo sido eleita em 2013, pela publicação norte-americana Wine Enthusiast, a região produtora de vinhos daquele ano (Wine Region of the Year).


Atualmente, é uma das regiões vinícolas mais prestigiadas dos Estados Unidos. E apesar do sucesso e do estruturado enoturismo, Paso mantém seu charme com seu estilo wild west, com preços (ainda) razoáveis quando comparado com Napa Valley.

Paso se localiza no condado de San Luiz Obispo, na chamada Central Coast da Califórnia, no meio do caminho entre San Francisco e Los Angeles, abrangendo a cidade homônima e diversas localidades próximas.

A região se estende cerca de 42 milhas do oeste para o leste, e 32 milhas do norte ao sul, e até 2014 era a maior AVA californiana sem subdivisões, apresentando diversos tipos de solos e microclimas variados.

Paso Robles se notabilizou por diversos estilos de vinhos, desde a pioneira Zinfandel e seus blends, até a Syrah, a Grenache e demais uvas do Rhône sozinhas ou em assemblages (é um dos lares dos chamados Rhone Rangers), passando pela Cabernet Sauvignon e os cortes bordaleses, com espaço para experimentações com Tempranillo, Touriga Nacional, cepas italianas como a Barbera (sobre os Cal-Italians Wines leia aqui), e blends inovativos (enquanto escrevia este post degustava um vinho 55% Syrah, 40% Zinfandel e 5% Viognier, o Zenaida Zephyr 2014, uma releitura local do Côte-Rôtie acrescida da Zinfandel).

Em 2014 a AVA (American Viticultural Area) de Paso Robles foi subdividida em 11 AVAs, mantendo-se, como ocorre com Napa por exemplo, uma AVA maior, no caso Paso Robles, de forma a realçar para o apreciador de vinhos as características do terroir de cada localidade da região.

As novas AVAs agrupam-se em três subregiões:

1) A parte oeste montanhosa, a cerca de 5 milhas do Pacífico (Western Hilly Areas), com solos calcários e em com vinhedos até 2400 pés do nível do mar, e contando com brisas marítimas moderadas, e na qual se inserem as AVAs Adelaida, Paso Robles Willow Creek, Templeton Gap e, um pouco mais ao sul, após a cidade de Atascadero, Santa Margarita Ranch (com solos aluviais). Além dos potentes Zinfandels, a área se destacam também pelos vinhos elaborados com varietais do Rhône, com destaque para a Syrah e para a Grenache. Há ainda excelentes vinhos elaborados com a Petite Sirah (leia mais sobre esta enigmática uva aqui) de vinhedos antigos;
 
2) A parte dos vales internos (Inland Valleys), já à leste da Highway 101, com as AVAs San Miguel, Paso Robles Estrella, Paso Robles Geneseo, e El Pomar, com vinhedos plantados entre 700 e 1600 pés do nível do mar, e com solos argilosos e aluviais. Aqui, até mesmo por não haver tanta influência da brisa marítima, se destacam a Cabernet Sauvignon, e os vinhos com cortes bordaleses, além da Zinfandel.

3) Também ao leste da Highway 101, a Inland Hilly Area, com vinhedos em colinas, e com clima mais quente, também se destacando a Zinfandel e a Cabernet Sauvignon, e com futuro promissor para cepas espanholas e portuguesas. Aqui há menos chuva que nas demais áreas e a inversão térmica é maior. As AVAs aqui são San Juan, Creston e Highlands.

Vale lembrar que a vizinhaYork Mountain, na parte oeste da região, é uma AVA independente, não se inserindo dentre as sub-AVAs de Paso Robles.

Alguns poderiam pensar qual a razão de se criar 11 AVAs inseridas dentro de uma AVA, Paso Robles, já com nome reconhecido no mercado de vinhos. Como já tivemos oportunidade de escrever antes, as AVAs, não obstante algumas críticas recebidas quanto à sua proliferação no sentido de que “confundiriam o consumidor”, mostram-se imprescindíveis para a construção de uma noção de terroir na Califórnia e em outras regiões produtoras norte-americanas, e, mutatis mutandi, no mundo todo. São imprescindíveis para a construção de uma identidade cultural-vinícola. Leia mais sobre a noção de AVAs e terroir aqui.

Pelo sistema atual, os produtores não são obrigados a ostentar o nome da sub-AVA, podendo manter apenas a AVA Paso Robles (ou ainda colocar Paso Robles e o nome específico da sub-AVA, como “Paso Robles – Templeton Gap District) e apenas com o passar do tempo poderemos perceber como as novas AVAs de Paso irão contribuir para o fortalecimento da noção de terroir da região.

Cheers!

domingo, 31 de dezembro de 2017

Descobrindo Washington Parte 3 – Walla Walla Valley

Seguindo nossa viagem pelo Estado de Washington (leia mais aqui e aqui), após sairmos de Prosser, continuamos rumo ao leste, em direção ao Estado de Idaho. Nosso destino: Walla Walla Valley.

Walla Walla Valley é uma AVA (American Viticultural Area) inserida dentro da AVA Columbia Valley leia aqui mais sobre as regiões de Washington.

Ao contrário do que muitos imaginam, a região de Walla Walla se estende de Washington ao Oregon, ou seja, o território dessa famosa AVA se alastra por dois Estados distintos.

Walla Walla é considerada uma das melhores regiões de Washington, com 1.646 acres de vinhedos plantados e cerca de 100 vinícolas ali instaladas. Dentre as diversas variedades  plantadas, destacam-se a Cabernet Sauvignon, a Syrah, a Merlot e a Chardonnay.

Dentro da AVA de Walla Walla, no lado do Oregon, há a AVA The Rocks District of Milton-Freewater, criada em fevereiro de 2015, famosa por vinhos Syrah e Grenache.

Embora seja a região vitivinícola mais afastada de Seattle, a cidade de Walla Walla conta com uma vasta e sofisticada cena gastronômica, bem como com diversas opções de hospedagem. Das regiões que visitamos em Washington me arrisco a dizer que é a que mantém a melhor combinação de experiências de enoturismo.

As vinícolas de Walla Walla se dividem em algumas áreas distintas, facilitando o planejamento da viagem. São elas: Vintage Loope ou Regional, logo antes de chegar na cidade, com instalações maiores; Regional Airport; Downtown Walla Walla e South Walla Walla.

No primeiro dia, iniciamos pelo Vintage Loop, área com vinhedos à vista e grandes intalações.

Começamos pela tradicional Woodward Canyon, com vinhos que não nos impressionaram.

Na sequencia visitamos uma das melhores vinícolas da viagem, a também tradicional L'Ecole 41, que possui duas linhas principais de vinhos, os de etiqueta preta Columbia Valley AVA, e os de etiqueta branca Walla Walla AVA, ambos com excelente qualidade embora com faixas de preço e propostas distintas. Degustamos os seguintes vinhos: L'Ecole 41 Columbia Valley Chenin Blanc Old Vines 2014; L'Ecole 41 Columbia Valley Semillion 2013; L'Ecole 41 Horse Heaven Hills Grenache Rosé Alder Ridge Vineyard 2014; L'Ecole 41 Walla Walla Valey Melor 2012; L'Ecole 41 Walla Walla Valey Cabernet Sauvignon 2012; L'Ecole 41 Walla Walla Valey Syrah Seven Hills Vineyard 2012; e um impressionante corte bordalês L'Ecole 41 Walla Walla Valey Perigge Seven Hills Vineyard 2012 (60% Cabernet Sauvignon; 21% Merlot; 14% Cabernet Franc e 5% Malbec).

Ainda no Vintage Loop visitamos a Waterbrook, na qual degustamos um incrível Riesling Reserve 2013, um Chardonnay Reserve 2013, os ícone da vinícola Icon Reserve 2011 Aniversary Blend (um corte “secreto” do Rhone) e o Icon 2010 Red Blend (também um assemblage secreto) e terminamos com um Malbec Reserve 2012.

Terminamos o dia na Dunham Cellars, na área do regional airport, local do antigo e hoje desativado aeroporto local, onde existem diversa vinícolas instaladas nos antigos hangares. Dos diversos vinhos degustados, o destaque mais uma vez foi para o Riesling do vinhedo Lewis Estate Vineyard, e um opulento Syrah.

No segundo dia, exploramos a área chamada South Walla Walla que se estende ao Estado vizinho do Oregon.

Ali visitamos a Northstar, uma vinícola butique pertencente ao grupo Chateau Ste. Michelle, focada em vinhos monovarietais de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, com destaque para o seu vinho Premier, um elegantíssimo Merlot de pequena produção e do qual degustamos a safra 2010.
 
Na sequencia visitamos a Pepper Bridge Winery, vinícola de altíssima qualidade da região, e que produz vinhos apenas a partir de três vinhedos tidos com os grand crus da região: Pepper Bridge, Seven Hills e Octave. O foco da vinícola são apenas vinhos elaborados com as castas típicas de Bordeaux, inclusive a Sauvignon Blanc.

Na visita acabamos por conhecer um dos proprietários e enólogos, o simpático suíço Jean-François Pellet, que nos contou sobre a vinícola e sobre a região de Walla Walla.

Em seguida, a convite de Jean-François, visitamos sua outra vinícola, a vizinha Amavi Cellars, que além de produzir vinhos com os varietais bordaleses, também elabora vinhos com a Syrah, com a Tempranillo, e até mesmo um raro ice wine.

Lá andamos pelos vinhedos com Jean-François, que nos explicou características dos solos.

O almoço, em um estratégico food truck do restaurante Olive que dá expediente em alguns dias na vinícola, não decepcionou.

Finalizamos o dia no downtown visitando o tasting room da vinícola Mark Ryan, especializada em vinhos de diferentes terroirs de Washington. Degustamos quatro vinhos: Mark Ryan Los Soul Syrah 2012, Mark Ryan Long Haul Red Mountain 2012 (49% Merlot, 44% Cabernet Franc, 6% Cabernet Sauvignon,1% Petit Verdot) Mark Ryan Dead Horse Cabernet Sauvignon 2012; Mark Ryan Old Vines Columbia Valley Cabernet Sauvignon 2012 (o que mais nos impressionou).

Em nosso terceiro e último dia, voltamos para South Walla Walla.

Iniciamos pela Va Piano Vineyards, provando alguns vinhos, com destaque para o Signature Series Syrah 2008.

Seguiu-se a Saviah Cellars, em que o grande destaque dos diversos vinhos degustados foi o The Stones Speak Syrah 2011, na época ostentando a denominação Walla Walla Valley, e elaborado com uvas de vinhedo Funk Estate Vineyard localizado na nova AVA The Rocks District of Milton-Freewater, caracterizado pelos solos extremamente pedregosos.

Retornando a downtown, visitamos mais duas vinícolas tradicionais, a Seven Hills Winery e a Canoe Ridge Vineyard.

Na Seven Hills Winery tivemos a oportunidade de degustar na companhia do proprietário e enólogo Casey McClellan.

A Seven Hills tem como principais vinhedos o vinhedo homônimo Seven Hills Vineyard e o McClellan Vineyard, ambos em Walla Walla, porém no Estado do Oregon. Outro vinhedo principal usado pela vinícola é o Grand Cru de Washington Ciel du Cheval Vineyard na pequena e prestigiosa AVA de Red Mountain.

Iniciamos com um elegante Seven Hills Riesling Columbia Valley 2012 (os Rieslings secos de Washington são quase sempre impressionantes, tornando essa uva a principal do Estado junto com a Chardonnay), seguido de um Seven Hills Pinot Gris Oregon 2013 e de incrível Seven Hills Dry Rosé Columbia Valley 2014. Na sequencia degustamos um Seven Hills Malbec McClellan Vineyard Walla Walla Valley 2013; o Seven Hills Cabernet Sauvignon Columbia Valley 2012; e dois dos tintos que mais nos impressionaram na viagem: Seven Hills Ciel du Cheval Vineyard Red Mountain 2012 (corte com predominância da Cabernet Sauvignon) e o Seven Hills Seven Hills Vineyard Cabernet Sauvignon Walla Walla Valley 2012. Comprei uma garrafa de cada um dos dois últimos e também do rosé. No dia seguinte, antes que me arrependesse, retornei à vinícola e comprei mais duas garrafas do Seven Hills Seven Hills Vineyard Cabernet Sauvignon Walla Walla Valley 2012.

Encerramos o dia e nossa estadia em Walla Walla na Canoe Ridge Vineyard, que acabou ficando eclipsada pela Seven Hills Winery, porém nos brindou com um potente Canoe Ridge Vineyard Cabernet Sauvignon Red Mountain Limited Release 2011.

Cheers!

Ainda sobre Washington leia aqui