quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Descobrindo Washington Parte 4 – Tri-Cities

Após sairmos da região de Walla Walla Valley (relembre aqui), retornamos em direção ao oeste. Nosso objetivo era visitar algumas vinícolas nas cercanias das chamadas Tri-Cities, e ter mais um dia para explorar a região de Red Mountain.

A região de Tri-Cities é apontada como “the heart of Washington wine country”, pois em seu entorno num raio de cerca de 50 milhas existem mais de 200 vinícolas inseridas em AVAs (American Viticultural Areas) diversas, como Red Mountain, Yakima Valley e Horse Heaven Hills, dentre outras (leia aqui sobre as AVAs de Washington) .

Tri-Cities é composta, na verdade, por quatro cidades distintas e fronteiriças: Kennewick, Pasco, Richland e West Richland.

Como mencionamos, optamos por fazer uma parada estratégica de dois dias em Tri-Cities com um dia para Red Mountain e outro para visitar mais algumas vinícolas bem próximas de Tri-Cities. Assim, diminuiríamos o tempo de viagem até nossa próxima etapa, o vizinho Estado do Oregon, que será objeto de posts futuros.


No primeiro dia, iniciamos pela Tagaris Winery, vinícola com inspiração grega e que possui um excelente restaurante onde almoçamos.

Além do almoço, degustamos alguns vinhos de excelente preço, despretensiosos, porém de excelente qualidade. Os três vinhos que se destacaram foram o T Riserva Italiana 2011 um corte nada usual de 43% Barbera, 42% Sangiovese, 10% Cabernet Sauvignon e 5% Syrah, todas as uvas provenientes da AVA  Wahluke Slope; o T Grenache Lee Palomo Vineyard 2012, também com uvas de Wahluke Slope; e o T Syrah Areté Vineyard 2011 (Columbia Valley).

Na sequencia, visitamos uma vinícola bem tradicional em Washington, a Barnard Griffin. Dos vinhos degustados, valem menção o Barnard Griffin Roussanne 2012 e o Barnard Griffin Grenache 2011, ambos de Columbia Valley.

Após, visitamos outra vinícola clássica em Washington e conhecida por seus potentes Cabernets Sauvignons e blends, bem como Syrahs a J. Bookwalter Winery. Provamos ali os seguintes vinhos: J. Bookwalter Foreshadow Cabernet Sauvignon 2012 (Columbia Valley); J. Bookwalter Antagonist Syrah 2013 (Columbia Valley); J. Bookwalter Conflict Conner-Lee Vineyard 2012 (ColumbiaValley; 63% Cabernet Sauvignon, 32% Merlot e 5% Syrah); J. Bookwalter Protagonist 2012 2012 (Columbia Valley; 91% Cabernet Sauvignon; 9% Syrah); J. Bookwalter Suspense Conner-Lee Vineyard 2012 (Columbia Valley; 35% Cabernet Franc, 65% Merlot).

Encerramos o dia na aconchegante Goose Ridge Winery, calmamente degustando nossos vinhos ao pé da lareira. Dentre os brancos, degustamos o Goose Ridge Riesling 2013  e o Goose Ridge  GRV 2013 (50% Viognier,27% Grenache Blanc e 23% Roussanne). Provamos quatro tintos: o Goose Ridge First Flight 2011 (67% Cabernet Sauvignon, 17% Merlot e 16% Syrah); o Goose Ridge Cabernet Sauvignon 2009; o Goose Ridge Merlot 2010 e, por fim, o Goose Ridge Syrah 2011. Todos os vinhos elaborados com uvas da AVA Columbia Valley.

No segundo dia, retornamos a Red Mountain (relembre a primeira visita aqui), uma das nossas sub-regiões vinícolas (AVAs) preferidas de Washington.

Iniciamos o dia visitando a Col Solare, uma parceria da família Antinori e o Chateau Ste. Michelle, visita esta sobre a qual escrevemos um post exclusivo. Relembre aqui.

Após, visitamos a Fidelitas. A arquitetura da vinícola é

simplesmente incrível, degustando-se os vinhos com o vinhedo emoldurado por uma ampla parede de vidro. E os vinhos são de altíssima qualidade, fazendo jus à arquitetura da vinícola (ou seria o contrário?). Provamos ali cinco vinhos: Fidelitas Boushey Red Wine 2011; Fidelitas Champoux Merlot 2011; Fidelitas Optu Red Mountain 2012 (72% Cabernet Sauvignon, 20% Merlot, 4% Petit Verdot, 4% Cabernet Franc), o Fidelitas Malbec Red Mountain 2011 e o Fidelitas Ciel du Cheval Cabernet Sauvignon 2010 (sobre o vinhedo Ciel du Cheval leia aqui). Todos simplesmente espetaculares e da AVA Red Mountain.

Na sequencia, visitamos a Hedges Family Estate, cujos vinhos não nos empolgaram muito. Na verdade, não havia opção de escolha dos vinhos a serem degustados, e ficamos bem desapontados com o que provamos. No entanto, ali vimos um vinhedo plantado com Sousão, casta tinta portuguesa típica do Douro utilizada sobretudo em vinhos do Porto (embora haja vinhos tranquilos monocastas, como o Quinta do Vallado Sousão). E a razão para o plantio da Sousão ali na remota Red Mountain era interessante. Um enólogo português da equipe da vinícola havia sugerido o seu plantio para elaboração de vinhos fortificados no estilo dos vinhos do Porto.

Após, paramos na Terra Blanca - onde já havíamos ido alguns dias antes - para almoçar no pequeno restaurante da vinícola que serve pizzas de forno a lenha e saladas.

Em seguida, visitamos a pequena e familiar Cooper Wine Company, onde fomos recebidos pelo próprio proprietário e enólogo, o simpático Neil Cooper. Ele nos contou sua filosofia: vinhos de pequena produção, sempre Bordeaux styles blends, focados na qualidade. Na época, Neil havia acabado de retornar de uma viagem ao Chile e já começava a usar um pouco de Carménère em alguns vinhos. Provamos os seguintes vinhos: Cooper Riesling Yakima Valley 2013; Cooper Estate Chardonnay Red Mountain 2013; Cooper Barrel Maker Red Red Mountain 2012 (50% Cabernet Sauvignon; 25% Merlot; 25% Cabernet Franc); Cooper L’Inizio Red Mountain 2012 (40% Cabernet Sauvignon; 15% Merlot; 12,5% Malbec; 12,5% Petit Verdot; 10% Cabernet Franc e 10% Carménére); Cooper Estate Cabernet Sauvignon Red Mountain 2012 e o Cooper Estate Merlot Red Mountain 2011.
Finalizamos o dia ainda na Chandler Reach, uma pequena vinícola com arquitetura toscana, e na qual os brancos foram o grande destaque (um Chenin Blanc, um Viognier e um Chardonnay, todos 2013 e da AVA Columbia Valley), além de um tinto, o Parris 2008, um Cabernet Franc de Yakima Valley.

Fechamos assim nossa viagem pelas regiões vinícolas de Washington (relembre as parte 1, 2 e 3 de nossa viagem) e nos preparamos para a etapa seguinte, o vizinho Oregon.


Cheers!

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Paso Robles e suas AVAs

Paso Robles é uma das minhas regiões vinícolas preferidas na Califórnia.

Desde a nossa primeira visita em 2011 (leia aqui), quando ainda não era um wine country tão célebre como Napa e Sonoma, Paso Robles - ou apenas Paso como preferem os locais - se tornou bem badalada, inclusive tendo sido eleita em 2013, pela publicação norte-americana Wine Enthusiast, a região produtora de vinhos daquele ano (Wine Region of the Year).


Atualmente, é uma das regiões vinícolas mais prestigiadas dos Estados Unidos. E apesar do sucesso e do estruturado enoturismo, Paso mantém seu charme com seu estilo wild west, com preços (ainda) razoáveis quando comparado com Napa Valley.

Paso se localiza no condado de San Luiz Obispo, na chamada Central Coast da Califórnia, no meio do caminho entre San Francisco e Los Angeles, abrangendo a cidade homônima e diversas localidades próximas.

A região se estende cerca de 42 milhas do oeste para o leste, e 32 milhas do norte ao sul, e até 2014 era a maior AVA californiana sem subdivisões, apresentando diversos tipos de solos e microclimas variados.

Paso Robles se notabilizou por diversos estilos de vinhos, desde a pioneira Zinfandel e seus blends, até a Syrah, a Grenache e demais uvas do Rhône sozinhas ou em assemblages (é um dos lares dos chamados Rhone Rangers), passando pela Cabernet Sauvignon e os cortes bordaleses, com espaço para experimentações com Tempranillo, Touriga Nacional, cepas italianas como a Barbera (sobre os Cal-Italians Wines leia aqui), e blends inovativos (enquanto escrevia este post degustava um vinho 55% Syrah, 40% Zinfandel e 5% Viognier, o Zenaida Zephyr 2014, uma releitura local do Côte-Rôtie acrescida da Zinfandel).

Em 2014 a AVA (American Viticultural Area) de Paso Robles foi subdividida em 11 AVAs, mantendo-se, como ocorre com Napa por exemplo, uma AVA maior, no caso Paso Robles, de forma a realçar para o apreciador de vinhos as características do terroir de cada localidade da região.

As novas AVAs agrupam-se em três subregiões:

1) A parte oeste montanhosa, a cerca de 5 milhas do Pacífico (Western Hilly Areas), com solos calcários e em com vinhedos até 2400 pés do nível do mar, e contando com brisas marítimas moderadas, e na qual se inserem as AVAs Adelaida, Paso Robles Willow Creek, Templeton Gap e, um pouco mais ao sul, após a cidade de Atascadero, Santa Margarita Ranch (com solos aluviais). Além dos potentes Zinfandels, a área se destacam também pelos vinhos elaborados com varietais do Rhône, com destaque para a Syrah e para a Grenache. Há ainda excelentes vinhos elaborados com a Petite Sirah (leia mais sobre esta enigmática uva aqui) de vinhedos antigos;
 
2) A parte dos vales internos (Inland Valleys), já à leste da Highway 101, com as AVAs San Miguel, Paso Robles Estrella, Paso Robles Geneseo, e El Pomar, com vinhedos plantados entre 700 e 1600 pés do nível do mar, e com solos argilosos e aluviais. Aqui, até mesmo por não haver tanta influência da brisa marítima, se destacam a Cabernet Sauvignon, e os vinhos com cortes bordaleses, além da Zinfandel.

3) Também ao leste da Highway 101, a Inland Hilly Area, com vinhedos em colinas, e com clima mais quente, também se destacando a Zinfandel e a Cabernet Sauvignon, e com futuro promissor para cepas espanholas e portuguesas. Aqui há menos chuva que nas demais áreas e a inversão térmica é maior. As AVAs aqui são San Juan, Creston e Highlands.

Vale lembrar que a vizinhaYork Mountain, na parte oeste da região, é uma AVA independente, não se inserindo dentre as sub-AVAs de Paso Robles.

Alguns poderiam pensar qual a razão de se criar 11 AVAs inseridas dentro de uma AVA, Paso Robles, já com nome reconhecido no mercado de vinhos. Como já tivemos oportunidade de escrever antes, as AVAs, não obstante algumas críticas recebidas quanto à sua proliferação no sentido de que “confundiriam o consumidor”, mostram-se imprescindíveis para a construção de uma noção de terroir na Califórnia e em outras regiões produtoras norte-americanas, e, mutatis mutandi, no mundo todo. São imprescindíveis para a construção de uma identidade cultural-vinícola. Leia mais sobre a noção de AVAs e terroir aqui.

Pelo sistema atual, os produtores não são obrigados a ostentar o nome da sub-AVA, podendo manter apenas a AVA Paso Robles (ou ainda colocar Paso Robles e o nome específico da sub-AVA, como “Paso Robles – Templeton Gap District) e apenas com o passar do tempo poderemos perceber como as novas AVAs de Paso irão contribuir para o fortalecimento da noção de terroir da região.

Cheers!

domingo, 31 de dezembro de 2017

Descobrindo Washington Parte 3 – Walla Walla Valley

Seguindo nossa viagem pelo Estado de Washington (leia mais aqui e aqui), após sairmos de Prosser, continuamos rumo ao leste, em direção ao Estado de Idaho. Nosso destino: Walla Walla Valley.

Walla Walla Valley é uma AVA (American Viticultural Area) inserida dentro da AVA Columbia Valley leia aqui mais sobre as regiões de Washington.

Ao contrário do que muitos imaginam, a região de Walla Walla se estende de Washington ao Oregon, ou seja, o território dessa famosa AVA se alastra por dois Estados distintos.

Walla Walla é considerada uma das melhores regiões de Washington, com 1.646 acres de vinhedos plantados e cerca de 100 vinícolas ali instaladas. Dentre as diversas variedades  plantadas, destacam-se a Cabernet Sauvignon, a Syrah, a Merlot e a Chardonnay.

Dentro da AVA de Walla Walla, no lado do Oregon, há a AVA The Rocks District of Milton-Freewater, criada em fevereiro de 2015, famosa por vinhos Syrah e Grenache.

Embora seja a região vitivinícola mais afastada de Seattle, a cidade de Walla Walla conta com uma vasta e sofisticada cena gastronômica, bem como com diversas opções de hospedagem. Das regiões que visitamos em Washington me arrisco a dizer que é a que mantém a melhor combinação de experiências de enoturismo.

As vinícolas de Walla Walla se dividem em algumas áreas distintas, facilitando o planejamento da viagem. São elas: Vintage Loope ou Regional, logo antes de chegar na cidade, com instalações maiores; Regional Airport; Downtown Walla Walla e South Walla Walla.

No primeiro dia, iniciamos pelo Vintage Loop, área com vinhedos à vista e grandes intalações.

Começamos pela tradicional Woodward Canyon, com vinhos que não nos impressionaram.

Na sequencia visitamos uma das melhores vinícolas da viagem, a também tradicional L'Ecole 41, que possui duas linhas principais de vinhos, os de etiqueta preta Columbia Valley AVA, e os de etiqueta branca Walla Walla AVA, ambos com excelente qualidade embora com faixas de preço e propostas distintas. Degustamos os seguintes vinhos: L'Ecole 41 Columbia Valley Chenin Blanc Old Vines 2014; L'Ecole 41 Columbia Valley Semillion 2013; L'Ecole 41 Horse Heaven Hills Grenache Rosé Alder Ridge Vineyard 2014; L'Ecole 41 Walla Walla Valey Melor 2012; L'Ecole 41 Walla Walla Valey Cabernet Sauvignon 2012; L'Ecole 41 Walla Walla Valey Syrah Seven Hills Vineyard 2012; e um impressionante corte bordalês L'Ecole 41 Walla Walla Valey Perigge Seven Hills Vineyard 2012 (60% Cabernet Sauvignon; 21% Merlot; 14% Cabernet Franc e 5% Malbec).

Ainda no Vintage Loop visitamos a Waterbrook, na qual degustamos um incrível Riesling Reserve 2013, um Chardonnay Reserve 2013, os ícone da vinícola Icon Reserve 2011 Aniversary Blend (um corte “secreto” do Rhone) e o Icon 2010 Red Blend (também um assemblage secreto) e terminamos com um Malbec Reserve 2012.

Terminamos o dia na Dunham Cellars, na área do regional airport, local do antigo e hoje desativado aeroporto local, onde existem diversa vinícolas instaladas nos antigos hangares. Dos diversos vinhos degustados, o destaque mais uma vez foi para o Riesling do vinhedo Lewis Estate Vineyard, e um opulento Syrah.

No segundo dia, exploramos a área chamada South Walla Walla que se estende ao Estado vizinho do Oregon.

Ali visitamos a Northstar, uma vinícola butique pertencente ao grupo Chateau Ste. Michelle, focada em vinhos monovarietais de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, com destaque para o seu vinho Premier, um elegantíssimo Merlot de pequena produção e do qual degustamos a safra 2010.
 
Na sequencia visitamos a Pepper Bridge Winery, vinícola de altíssima qualidade da região, e que produz vinhos apenas a partir de três vinhedos tidos com os grand crus da região: Pepper Bridge, Seven Hills e Octave. O foco da vinícola são apenas vinhos elaborados com as castas típicas de Bordeaux, inclusive a Sauvignon Blanc.

Na visita acabamos por conhecer um dos proprietários e enólogos, o simpático suíço Jean-François Pellet, que nos contou sobre a vinícola e sobre a região de Walla Walla.

Em seguida, a convite de Jean-François, visitamos sua outra vinícola, a vizinha Amavi Cellars, que além de produzir vinhos com os varietais bordaleses, também elabora vinhos com a Syrah, com a Tempranillo, e até mesmo um raro ice wine.

Lá andamos pelos vinhedos com Jean-François, que nos explicou características dos solos.

O almoço, em um estratégico food truck do restaurante Olive que dá expediente em alguns dias na vinícola, não decepcionou.

Finalizamos o dia no downtown visitando o tasting room da vinícola Mark Ryan, especializada em vinhos de diferentes terroirs de Washington. Degustamos quatro vinhos: Mark Ryan Los Soul Syrah 2012, Mark Ryan Long Haul Red Mountain 2012 (49% Merlot, 44% Cabernet Franc, 6% Cabernet Sauvignon,1% Petit Verdot) Mark Ryan Dead Horse Cabernet Sauvignon 2012; Mark Ryan Old Vines Columbia Valley Cabernet Sauvignon 2012 (o que mais nos impressionou).

Em nosso terceiro e último dia, voltamos para South Walla Walla.

Iniciamos pela Va Piano Vineyards, provando alguns vinhos, com destaque para o Signature Series Syrah 2008.

Seguiu-se a Saviah Cellars, em que o grande destaque dos diversos vinhos degustados foi o The Stones Speak Syrah 2011, na época ostentando a denominação Walla Walla Valley, e elaborado com uvas de vinhedo Funk Estate Vineyard localizado na nova AVA The Rocks District of Milton-Freewater, caracterizado pelos solos extremamente pedregosos.

Retornando a downtown, visitamos mais duas vinícolas tradicionais, a Seven Hills Winery e a Canoe Ridge Vineyard.

Na Seven Hills Winery tivemos a oportunidade de degustar na companhia do proprietário e enólogo Casey McClellan.

A Seven Hills tem como principais vinhedos o vinhedo homônimo Seven Hills Vineyard e o McClellan Vineyard, ambos em Walla Walla, porém no Estado do Oregon. Outro vinhedo principal usado pela vinícola é o Grand Cru de Washington Ciel du Cheval Vineyard na pequena e prestigiosa AVA de Red Mountain.

Iniciamos com um elegante Seven Hills Riesling Columbia Valley 2012 (os Rieslings secos de Washington são quase sempre impressionantes, tornando essa uva a principal do Estado junto com a Chardonnay), seguido de um Seven Hills Pinot Gris Oregon 2013 e de incrível Seven Hills Dry Rosé Columbia Valley 2014. Na sequencia degustamos um Seven Hills Malbec McClellan Vineyard Walla Walla Valley 2013; o Seven Hills Cabernet Sauvignon Columbia Valley 2012; e dois dos tintos que mais nos impressionaram na viagem: Seven Hills Ciel du Cheval Vineyard Red Mountain 2012 (corte com predominância da Cabernet Sauvignon) e o Seven Hills Seven Hills Vineyard Cabernet Sauvignon Walla Walla Valley 2012. Comprei uma garrafa de cada um dos dois últimos e também do rosé. No dia seguinte, antes que me arrependesse, retornei à vinícola e comprei mais duas garrafas do Seven Hills Seven Hills Vineyard Cabernet Sauvignon Walla Walla Valley 2012.

Encerramos o dia e nossa estadia em Walla Walla na Canoe Ridge Vineyard, que acabou ficando eclipsada pela Seven Hills Winery, porém nos brindou com um potente Canoe Ridge Vineyard Cabernet Sauvignon Red Mountain Limited Release 2011.

Cheers!

Ainda sobre Washington leia aqui

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A Intrépida Região de Colares, Portugal


Um dos grande trunfos dos vinhos portugueses reside nas suas diversas castas autóctones, que os tornam únicos em todo o mundo.

Em um país cerca de duas vezes o tamanho do Estado do Rio de Janeiro, ou do tamanho de Santa Catarina, é realmente incrível a miríade de estilos de vinhos produzidos, bem como a quantidade de produtores existentes.

Também surpreende o grande número de regiões vitivinícolas, das maiores e mais famosas como Douro e Alentejo, até as menos conhecidas e que nos reservam verdadeiros tesouros.

Colares, uma das menores regiões vitivinícolas de Portugal, é denominação de origem protegida desde 1908, e foi a segunda região vitivinícola demarcada do país. Situa-se numa zona de dunas, muito próxima ao mar, no Concelho de Sintra, perto da serra, estendendo-se do Cabo da Roca a Magoito.

Os vinhedos dessa pequena região (cerca de 12 a 15 hectares) estão situados em terrenos cobertos de areia próximos ao mar.

Para o plantio das vinhas, extrai-se a areia até se chegar ao solo argiloso, vários metros abaixo. Ali, as vinhas são colocadas entre talas para se enraizarem na argila. As videiras se desenvolvem horizontalmente e rentes ao chão. À medida que a vinha cresce, recobre-se com areia. Para proteger as vinhas da influência marítima direta colocam-se muros de pedras soltas ou com uma espécie de palha seca ou gravetos.

Um trabalho hercúleo, e do qual atualmente se extraem aproximadamente 20 mil garrafas de tintos e 15 mil de brancos, estando a produção concentrada em cinco produtores: Adegas Beira Mar, Adega Regional de Colares, Adega Viúva Gomes e Fundação Oriente.

Os vinhos tintos são elaborados com um mínimo de 80% da casta Ramisco, só encontrada em Colares, complementados por outras cepas como Molar e Castelão.

Já os brancos são elaborados com a Malvasia de Colares, também com um mínimo de 80%.

No entanto, os produtores praticamente produzem vinhos monovarietais ou com percentuais mínimos de 95% com a Ramisco ou com a Malvasia de Colares.

Um detalhe interessante é que as vinhas são todas em pé-franco, ou seja, sem porta-enxertos, justamente por conta do solo arenoso.

Justamente por estarem plantados em terreno arenoso, os vinhedos de Colares não foram atingidos e destruídos pela filoxera em meados do Século XIX, quando a praga se alastrou pela Europa e dizimou inúmeros vinhedos. Foi justamente nessa época que os vinhos de Colares ganharam notoriedade, chegando a haver em 1908 dois mil hectares de vinhedos plantados na região.

Em recente viagem à Portugal visitamos a Adega Viúva Gomes, em Almoçageme, que faz parte da freguesia de Colares, e bem pertinho de Sintra.
 
Recepcionados pelo proprietário, o simpático José Baeta, conhecemos a história dessa vinícola que data de 1808, aprendemos sobre a produção de vinhos de Colares, e, claro, tivemos a oportunidade de degustar alguns vinhos da Adega Viúva Gomes, que além dos Colares tinto e brancos também elabora dois outros vinhos, um tinto e um branco, com denominação regional de Lisboa..

Começamos pelos brancos. Primeiro, degustamos um Patrão Diogo Branco – Regional de Lisboa 2015, elaborado com Fernão Pires, Arinto e Seara Nova, de vinhedos plantados em solo argiloso, o chamado “chão rijo”.

Na sequencia, provamos o Viúva Gomes Branco – Colares DOC 2014, elaborado com a Malvasia de Colares, com notas minerais como sílex e também maresia, com notas salinas e acidez elevada na boca.

Passando aos tintos, iniciamos com o Patrão Diogo Tinto – Regional de Lisboa 2015, também plantado em “chão rijo” e elaborado com as castas Aragonez e Castelão.

Em seguida, degustamos o Viúva Gomes Tinto – Colares DOC 2014. Embora jovem para um Colares tinto, o vinho de cor rubi profundo se mostrava bem complexo, com taninos altos, acidez média alta, com notas balsâmicas, frutas vermelhas, figos secos, um toque de cedro, um pouco de fumo e couro.

Uma curiosidade: os Colares da Adega Viúva Gomes são envasilhados em garrafas de 500ml e não de 750ml. Justamente por conta da minúscula produção.

De se destacar que a Adega Viúva Gomes é aberta ao enoturismo, bastando enviar um e-mail ou telefonar para agendar a visita.

Infelizmente, esse valioso patrimônio viticultura mundial que é Colares está ameaçado. Por conta da forte expansão urbanística na área e a valorização dos imóveis perto do mar, restam muito poucos hectares de vinhedos, nitidamente em ameaça de extinção.

A nós, apaixonados por vinhos, só nos resta torcer para que as autoridades locais adotem providências para estimular a manutenção e até mesmo a expansão dos vinhedos de Colares, protegendo esse patrimônio cultural.

Colares venceu a batalha contra a nefasta filoxera no século XIX, esperemos que esse intrépida região consiga vencer nesse século a batalha contra a especulação imobiliária.

Um brinde à Colares!