
Ao
contrário de Napa, as diversas subregiões de Sonoma se estendem por um
território muito maior, com diversos microclimas distintos e, consequentemente,
com maiores distâncias de deslocamento.
O condado
de Sonoma possui diversas American Viticultural Areas (AVAs) em seu território,
não sendo por si só uma AVA. As AVAs de Sonoma são: Sonoma Valley, Sonoma
Mountain (que se insere dentro de Sonoma Valley), Sonoma Coast, Alexander
Valley, Russian River Valley (nas quais estão inseridas as sub-AVAs de Green
Valley e de Chalk Hill), Dry Creek Valley, Knight Valley, Northern Sonoma,
Rockpile, Bennet Valley, Carneros (que se estende de Napa Valley a Sonoma) e
North Coast, AVA que se estende por Sonoma, Napa, Lake Marin e Mendocino
counties.
O primeiro
dilema era onde ficar hospedados, no norte ou no sul, Sonoma, a cidade, ou
Healdsburg, ou alguma cidade mais central no vale, como Santa Rosa? Após alguma
pesquisa, com a árdua tarefa de selecionar as vinícolas a serem visitadas,
seguimos o conselho de Camile Seghesio, a quem havíamos conhecido
anteriormente, e decidimos pela charmosa Healdsburg, mais ao norte.
Basicamente,
nossas explorações se concentraram na parte norte de Sonoma, mais
especificamente Russian River Valley, Dry Creek Valley e Alexander Valley, com
uma rápida passada no Sonoma Valley.
1º dia
Saímos cedo
de Saint Helena (Napa Valley) rumo à Healdsburg, no condado de Sonoma. Dentre
as rotas possíveis, optamos por seguir para o norte, até Calistoga, de onde
cruzamos parte do Knights Valley e de Chalk Hill, chegando nas cercanias de
Windsor, já no condado de Sonoma e de lá rumando, via Highway 101, até
Healdsburg. Optamos por esse caminho, pois a maior parte era em meio a natureza
das montanhas. Uma viagem agradável de aproximadamente 40 minutos.
Após
deixarmos as malas no nosso hotel em Healdsburg, seguimos direto em direção à
tradicional Chateau St. Jean, em Kenwood, no Sonoma Valley.
O Chateau
St. Jean produz diversas linhas de vinhos, com uma variedade grande, porém com
um bom padrão de qualidade. Após fazermos a degustação (com destaque para
alguns Pinot Noirs de diferentes sub-AVAs de Sonoma), compramos taças do Pinot
Noir de Sonoma Coast, alguns sanduiches e queijos, e fizemos um piquenique na
bela área da vinícola. Um dos grandes diferenciais do Chateau St. Jean é
justamente seus charmosos jardins (ótimos para crianças), com mesas espalhadas
para piqueniques, e a sua lojinha (a deli e a enorme parte de acessórios de
vinho e livros).
De lá
paramos em Santa Rosa, onde visitamos o Charles M. Schultz Museum, o criador de
Charlie Brown, do Snoopy e tantos outros maravilhosos personagens. O criador
dos Peanuts viveu a maior parte de sua vida em Santa Rosa, sendo este um
programa imperdível para os pequenos e para os adultos também.
Para fechar
o dia com chave de ouro, visitamos a Francis Ford Coppola, que fica em
Geyserville (Alexander Valley). Trata-se da segunda vinícola do famoso diretor
de cinema (a primeira fica em Napa Valley e atualmente se chama Niebaum-Coppola
Rubicon Estate). Além da sala de degustação, a vinícola possui um museu do
cinema, com objetos, roupas e até carros de filmes do diretor, e um
restaurante, o Rustic Francis's Favorites, despretensioso, do tipo bom e
barato, com uma comida deliciosa (as receitas preferidas do diretor).
E como se
não bastasse, a vinícola possui ainda uma grande piscina aberta ao público, que
pode alugar cabines para deixar suas coisas e tomar uma ducha!
As
degustações oferecidas são três: uma mais simples com 3 vinhos, a Family
Tasting; a Neighbors Tasting, com quatro vinhos, ambas mudando com frequência
os vinhos servidos; e, por fim, a degustação do flagship da vinícola, o
Archimedes (o flagship aqui é diverso do da Niebaum-Coppola Rubicon State em
Napa). Além dessas 3 opções, são oferecidos como cortesia os vinhos Coppola
Rosso e Coppola Bianco, vinhos simples, concebidos pelo diretor como vini da
tavola italianos para acompanhar a comida.

2º dia

Começamos
com o 2009 Rodney Strong Chardonnay Chalk Hill, seguido do 2008 Rodney Strong
Chardonnay Reserve Russian River Valley. Passamos, então aos vinhos Pinot Noir,
degustando o Rodney Strong 2009 Pinot Noir Russian River Valley e o 2008 Pinot
Noir Reserve Russian River Valley.
Em seguida,
degustamos uma série de vinhos de Cabernet Sauvignon (ou com a sua
predominância, no caso do Meritage), todos de Alexander Valley, e diferentes
entre si: 2007 Cabernet Sauvignon Reserve, 2007 Simmetry Meritage, 2007
Brother's Ridge Cabernet Sauvignon, 2007 Rockaway Cabernet Sauvignon, 2008
Alexander's Crown Cabernet Sauvignon (os nomes dos três últimos fazem alusão
aos respectivos vinhedos). Encerramos com um 2007 Robert Young A True Gentleman
Port (muitas vinícolas californianas usam indevidamente a denominação Port para
se referir a vinhos fortificados no estilo dos vinhos do Porto e, com todo
respeito, seus vinhos estão muito aquém dos vinhos do Porto).
O dia já
havia começado em grande estilo, porém a visita seguinte superou ainda mais as
expectativas: Seghesio Family Vineyards, bem no centro de Healdsburg, a apenas
dois minutos de carro do nosso hotel.
Havíamos
conhecido, cerca de um ano antes de nossa viagem, Camile Seghesio, que, ao
saber de nossa viagem para Sonoma em 2011, nos havia convidado para visitar a
Seghesio Family Vineyards, e nos fornecido valiosas dicas.
Assim, já
agendados para uma visita com harmonização de vários vinhos com pratos da
cozinha italiana, começamos o tour com um belo Pinot Noir (Sub-Ava Sonoma
Coast, safra 2008) de boas-vindas.
Visitamos
as instalações da Seghesio Family Vineyards, conhecendo a incrível história
dessa família de origem piemontesa, que bravamente sobreviveu aos difíceis
tempos da Lei Seca nos Estados Unidos. E durante o tour, nosso anfitrião Andy
nos brindava com taças dos diversos vinhos da vinícola. Basicamente, os vinhos
que nos foram oferecidos não são importados para o Brasil. A intenção de Camile
era nos apresentar a novos vinhos e nos surpreender (o que conseguiu,
positivamente).
Finalizamos
o tour em uma das Seghesio's Family Table Room, exclusivamente reservada para a
gente. Lá degustamos quatro pratos, o último de queijos com frutas, com os
seguintes vinhos da Seghesio Family Vineyards: Arneis 2009, Aglianico 2008,
Ormaggio 2008 (um corte de Cabernet Sauvignon e Sangiovese), um Zinfandel Home Ranch
2007, e o Dionica 2008, um vinho no estilo dos vinhos do Porto.
Uma
experiência inesquecível e um dos pontos altos da nossa viagem, marcada pela
hospitalidade da família Seghesio.

Degustamos,
além do Monte Bello 2007 (um corte bordalês com prevalência de Cabernet
Sauvignon da AVA Santa Cruz Mountains, fora de Sonoma County), os seguintes
vinhos: 2009 Jimsomare Chardonnay, 2007 Lytton Springs (71% Zinfandel, 22%
Petite Syrah, 7% Carignan), 2007 Geyserville (58% Zinfandel, 18% Petite Syrah,
22% Cariginane, 7% Mataro, como é mais conhecida na Califórnia a Mourvèrdre).
Para
encerrar o dia nos dirigimos ao charmoso centro de Healdsburg para jantar.
Enquanto meu filho dormia no carrinho e esperávamos um pouco (ainda eram quatro
da tarde), acabamos fazendo mais uma surpreendente degustação.
Aqui,
antes, um parêntese. O centro de Healdsburg conta com muitas tasting rooms,
algumas de vinícolas específicas, como as gingantes Kendall-Jackson e Gallo,
outras da união de vinícolas pequenas, familiares, além de lojas especializadas
que também franqueiam degustações.
E assim
como quem não quer nada, acabamos entrando na Boisset Family Estates, sendo
recebidos com um Crémant de Bourgogne rosé. A Boisset é uma família francesa
que além de propriedades na França, sobretudo na Borgonha, expandiu seu império
para a Califórnia, além de outros países, comprando vinícolas tradicionais,
como a DeLoach e a Buena Vista, sempre com foco principal em vinhos com a Pinot
Noir.
Optamos
pela original degustação Boisset Taste of Terroir - Tête a Tête, na qual
degustamos dois vinhos californianos e dois vinhos da Borgonha, todos tintos e
de Pinot Noir: 2007 DeLoach Vineyards O. F. S. Pinot Noir, 2006 JCR by
Jean-Charles Boisset n. 7 Pinot Noir, 2004 Jean-Claude Boisset
Chambolle-Musigny 1er Cru Les Groseilles, 2005 Jean-Claude Gevrey-Chambertain
Les Evocelles. E, para a brincadeira ficar mais divertida, optamos por não
saber a ordem em que os vinhos eram servidos.
3º dia
Iniciamos o
dia explorando o Dry Creek Valley. A primeira vinícola visitada foi a
Ferrari-Carano Vineyards and Winery, uma das mais tradicionais da região.
Além da
bela arquitetura do local, que lembra um clássico Château de Bordeaux, com
belíssimos jardins há uma grande gama de rótulos, alguns mais simples e outros
bem especiais. Existem duas degustações disponíveis, a Classic Wines, servida
na sala de degustaçõ principal, no andar térreo, e a mais exclusiva, a Limited
Release Wines, na bela adega subterrânea da vinícola. Em ambas, há uma lista
dos vinhos disponíveis e da qual se escolhem alguns rótulos para degustar.
Optamos
pela Limited Release Wines, e escolhemos os seguintes vinhos: 2008 Chardonnay
Reserve Carneros, Trésor Alexander Valley safras 2004 e 2007 (um corte bordalês
com prevalência de 84% de Cabernet Sauvignon mesclada com 6% Petit Verdot, 4%
Merlot, 2% Cabernet Franc e 4% Malbec, variando as percentagens conforme a
safra), PreVail West Face Alexander Valley (64% Cabernet Sauvignon e 36% Syrah)
safras 2004 e 2006, e PreVail Back Forty Alexander Valley (100% Cabernet
Sauvignon) safras 2004 e 2006. O atendente ainda nos ofereceu o 2009 Siena
Sonoma County (um intrigante corte de 74% Sangiovese, 16% Malbec e 8% Syrah),
um dos rótulos mais conhecidos da Ferrari-Carano.
Em seguida,
nos dirigimos para a Zichichi Family Vineyards, pequena vinícola familiar (lei mais sobre a Zichichi Family Vineyards aqui),
pouco conhecida, e com um grande tesouro. Havíamos lido sobre os fantásticos
vinhos Zinfandel na revista Wine Enthusiast cerca de um ano antes e colocamos em
nossa lista. Não há taxa de degustação, e os vinhos são incríveis.
Logo no
primeiro vinho degustado, o 2007 Zichichi Family Estate Zinfandel constatamos a
qualidade do vinho, impressionante. E o seguinte, o 2007 Zichichi Family Old
Vines Zinfandel, mais incrível ainda! E ainda teve um 2007 Zichichi Family
Cabernet Sauvignon Napa Valley muito bom, porém ofuscado pelos incríveis
Zinfandels. E além de poder repetir todos os vinhos, ainda houve prova
diretamente do barril de dois Zinfandels da vinícola, da safra 2010.
Com
certeza, junto com os da Seghesio, os melhores Zinfandels que já provei. Vale
observar que os vinhos da Zichichi são de produção limitadíssima e difíceis de
encontrar (por isso comprei quatro garrafas).
Rumamos,
então, para o Russian River Valley.
Começamos
pela Hartford Family Winery (leia mais sobre essa vinícola aqui), que produz um dos nossos vinhos Pinot Noir
favoritos, o Land's Edge. A vinícola especializada em vinhos Pinot Noir, de
diferentes subzonas de Sonoma e de vinhedos específicos, também produz
excelentes vinhos Chardonnay, Zinfandel e Syrah. Todos de altíssima qualidade.
Assim,
provamos dois vinhos Chardonnay (o 2009 Four Hearts e o 2007 Laura's), cinco
vinhos Pinot Noir (Land's Edge safras 2005, 2006 e 2007, 2008 Hailey's Block e
o 2007 Far Coast Vineyard), dois vinhos Zinfandel (2008 Russian River e 2008
Highwire Vineyards) e, por fim, o 2007 Outer Limits Syrah.
Após, ainda
visitamos a bela Martinelli Winery, onde degustamos bons vinhos Chardonnay,
Pinot Noir e Zinfandel. Os destaques aqui foram o 2008 Zio Tony Ranch
Chardonnay e o 2008 Zio Tony Ranch Pinot Noir. Belíssimos vinhos! A vinícola
funciona em um celeiro vermelho e nosso filho adorou.
Por último,
visitamos a Harvest Moon Estate Vineyards, vinícola familiar, com produção
minúscula, porém de excelente custo-benefício.
Para fechar
com chave de ouro nossa estada em Sonoma, jantamos no Dry Creek Kitchen, do
Chef Charlie Palmer. Esse é o restaurante pelo qual o renomado chef buscou
retornar às suas origens, com ingredientes locais frescos e orgânicos. Para os
vinhos de Sonoma não é cobrada qualquer taxa de rolha. Vale a visita, porém
imprescindível reservar previamente.
Cheers!
Cheers!
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